CCBB reúne artistas autistas e comunidade em evento neste sábado (31)

Quando a arte vence as barreiras, promove inclusão e maior aceitação da sociedade. E é essa combinação entre a arte e a discussão acerca do espectro que norteia o encontro “Práticas e Reflexões – Autista Artista”, trazendo à tona o debate sobre a acessibilidade e aceitabilidade da produção artística e da cultura autista.

O evento é aberto ao público e acontece no dia 31 de março, às vésperas do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, em 2 de abril. O encontro inicia às 10h, no CCBB Brasília. Além do debate, haverá exposições de quadrinhos, livros, trabalhos de autistas e apresentação da Banda Time Out, composta por pessoas no espectro. A entrada é franca.

A ONU estima que existam mais de 70 milhões de pessoas autistas no mundo e estima-se que dois milhões de brasileiros sejam autistas. É importante permitir que os autistas de hoje sejam incluídos na sociedade e tenham qualidade de vida, respeito e autonomia. E isso pode começar pelo acesso pleno à cultura dessas pessoas.

Coordenado pela empresa Sapoti Projetos Culturais, o Programa Educativo do Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília propõe um encontro entre pessoas com Autismo e o ambiente de arte-educação, com o intuito de trocar experiências e construir uma parceria que possa potencializar práticas de acessibilidade e inclusão. Amanda Paschoal, educadora autista e parte da equipe do Programa Educativo, será a mediadora dessa discussão. “Já existe um grande estigma de que autistas apenas se interessam por ciências exatas, e não podem ser artistas. Quase não se vê produção cultural dessas pessoas, isso é algo que precisamos fomentar”, disse Amanda.

Para fomentar o debate, foram convidadas pessoas que falarão sobre suas produções artísticas e acessibilidade no meio cultural. Entre elas estão Rita Louzeiro, pedagoga e militante no Autismo – Rita tem um irmão autista adulto que não fala -, o quadrinista autista, Bernardo Martinez, e a Banda Time Out, formada por integrantes no espectro e que faz parte do projeto homônimo do Instituto Ninar para inclusão de jovens com neurodiversidades por meio da arte.

A Sessão BB Azul de Cinema é uma das ações de inclusão cultural para autistas, que será promovida no dia 1º de abril (domingo), às 15h e 17h30, com a exibição do filme “Moana: um mar de aventuras”. São duas sessões organizadas especialmente, mas não exclusivamente, para pessoas no espectro e suas famílias, onde se leva em consideração aspectos físicos importantes para o conforto e divertimento do autista. “Os autistas são hipersensíveis a fatores sensoriais. Luzes que piscam, som alto, multidões, cores fortes, cheiros são alguns exemplos de coisas que podem agredir os sentidos de neurodivergentes e, às vezes, levá-los ao ponto de uma crise nervosa”, pontua Amanda.

Para isso, algumas adaptações são feitas: o ambiente não é cheio, não há trailers antes da exibição dos títulos, o som é mais baixo, as luzes ficam em “meia luz” e as crianças têm liberdade de sair e entrar na sala no meio do filme, sob supervisão dos pais ou responsáveis. A entrada é gratuita mediante retirada de senhas a partir de 1h antes da sessão.

O acesso às demais atividades propostas pelo Programa Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil não é limitado e é gratuito.

Programação

Sábado – 31 de março

10h – Roda de conversa Práticas e Reflexões – Produção, Aceitabilidade e Acessibilidade Autista no meio Cultural e Artístico

De 11h até 15h – Exposições de trabalhos, quadrinhos, livros, trabalhos de autistas e de pessoas que compõe a comunidade e o food truck Kombinha Azul – um truck só de pessoas autistas.

13h – Apresentação da Banda Time Out – banda composta por pessoas autistas

Domingo – 1º de abril

Sessão BB Azul de Cinema, com o filme “Moana: um mar de aventuras” – 15h e 17h30

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