Musical conta a vida de Zeca Pagodinho

Canções que envolvem os pés e quadris inquietos em rodas de samba guiam, neste fim de semana, um espetáculo teatral biográfico. Deixando a vida de um dos maiores sambistas do País nos levar ao longo da exibição, Zeca Pagodinho – Uma história de amor ao samba utiliza músicas dos 35 anos de carreira do artista para criar uma trilha sonora que narra a vida e a obra de Jessé Gomes da Silva Filho.

Seja destino ou coincidência, o encontro entre Victoria Dannemann e Gustavo Gasparani deu certo. Ela queria homenagear Zeca Pagodinho. Ele estudou a discografia do sambista para uma pesquisa, dois anos antes. A união rendeu um musical, dividido em dois atos. “Zeca é muito bem-humorado, e, para combinar com isso, achei que o teatro de revista daria conta pelo improviso e espontaneidade”, conta Gustavo, intérprete do cantor e diretor da peça.

A primeira parte da narrativa foi inspirada no romance Macunaíma (1928), de Mário de Andrade. Composta de cenas rápidas, Gustavo conta que esse ato constrói uma linha do tempo da vida do jovem suburbano carioca. “Tem a infância em Del Castilho, adolescência em Irajá e boemia. Cenas se passam como uma viagem de trem, em que a cada estação ele para e ganha um novo conhecimento”. A transição de Jessé para Zeca acontece com a venda de 1 milhão de discos, e, a partir disso, a temática é tomada pela sua forma de lidar com o sucesso.

Música baseia toda a construção narrativa da peça. Composições feitas ou interpretadas pelo cantor ao longo da carreira são incorporadas na dramaturgia e utilizadas como roteiro. “Não existe uma ordem cronológica, apenas o sentido em relação à letra. Se a música se encaixa na infância, não me importa se ela foi do décimo disco”, conta Gustavo. O ator acredita que o repertório não causa estranheza ao espectador. “Acho que a menos conhecida é Um Dos Poetas Do Samba”, acredita.

Para a caracterização do personagem, Gustavo cortou o cabelo, ganhou peso e fez pesquisas em livros biográficos, entrevistas e nas mais de 380 letras do cantor. Além disso, fez entrevistas com Pagodinho, nas quais o homenageado colocou uma única exigência: a adição de um personagem chamado Baixinho – um caseiro, grande amigo de Zeca. Apesar disso, o artista o deu liberdade para criar o que quisesse. “Zeca representa o homem do povo, bem-sucedido, manteve suas raízes e venceu na vida sendo quem é. É uma inspiração para nós que estamos assistindo”, relata Gustavo. É para deixar o espetáculo nos levar.

O espetáculo está em cartaz no Teatro Unip (Setor de Grandes Áreas Sul), amanhã, 18h e 21h, e domingo, às 20h. Ingressos: entre R$ 25 (meia) e R$ 150 (inteira). Informações: 99677-3027.

Saiba mais

No fim de maio, Zeca Pagodinho retorna à capital acompanhado de Maria Bethânia no projeto “De Santo Amaro a Xerém”. Pela primeira vez juntos nos palcos, o encontro acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental), dia 30/5, às 21h30. Ingressos de R$ 200 (poltrona superior) a R$ 400 (poltrona vip gold). Informações: 3226-0153. Classificação indicativa: 14 anos.

Deixe uma resposta