Mostra Selva entra em cartaz nesta sexta na Funarte Brasília

Em cartaz a partir desta sexta (27), na Galeria Fayga Ostrower – Complexo Cultural Funarte Brasília, a mostra Selva, com obras marcadamente experimentais, foi uma das selecionadas do Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais – Atos Visuais Funarte Brasília | Acre, que visa promover o intercâmbio de exposições por diversos estados para estimular a multiplicidade e a diversidade de linguagens e tendências da arte contemporânea. Além da apresentação da exposição em Brasília, Selva será apresentada, também, na galeria do Sesc Rio Branco, no Acre.

A reunião de Analu, Carla, João e Rochelle procura criar diálogos entre obras e conceitos que se relacionem entre si e com o espaço expositivo. Procura também pensar a ideia de selva como um lugar de alta biodiversidade, confrontando os conceitos de biodiversidade à uma possível ‘urbediversidade’. A produção mais recente dos artistas de Selva, tem se caracterizado pelo caráter investigativo, reflexivo e experimental em constante diálogo com novas tecnologias e propostas teóricas.

Analu Cunha irá apresentar a videoinstalação “Silva, Serpente” e o vídeo digital “Guariba, Guarida”, em que ambos refletem a ideia de selva como intrínseca e complementar aos conceitos de civilização e universalidade. Aqui, Silva, o sobrenome mais presente nas famílias brasileiras, segue o entendimento de ‘selvagem’, ainda que recalcado, percorre nossos corpos e âmagos sempre que é falado, escrito e assinado.

Carla Guagliardi traz a instalação “O Lugar do Ar”, na qual vergalhões de ferro pendem do teto através de bandas elásticas. Série iniciada pela artista em 1993 que se desenvolve a partir dos conceitos de interdependência, equilíbrio precário e vulnerabilidade, conceitos que norteiam o trabalho da artista. Carla também apresenta “Partitura IV, (vertical)”, nesta peças de madeira articuladas e bolas de espuma mantém um equilíbrio precário e vulnerável através da interdependência de suas partes. Em parceira com João Modé, a obra “Sete Flechas & Pena Branca” consiste numa instalação centrada no áudio de uma conversa entre os dois artistas feita com apitos de madeira. O ambiente receberá uma luz verde fluorescente pendendo de luminárias que se movimentam quase imperceptivelmente.

João Modé vai expor “Floresta com Anni Albers e Willys de Castro”, da série “Paninhos”, que são trabalhos feitos em tecido de uso cotidiano da casa do artista (panos de cozinha, lençóis, lenços) costurados e bordados. Esta série de trabalhos começou no final de 2013 é uma homenagem à tradição brasileira de arte construtiva. Outra obra que o artista exibe é a instalação “Sem título”, que apresenta um agrupamento de objetos com lâminas de vidro e lâmpadas que criam um espaço de abrigo e de diálogo entre estes objetos.

“Margens”, de Rochelle Costi, apresenta uma série de fotografias que retratam a vida dos cidadãos ribeirinhos, também chamados de beiradeiros, população que vive na beira dos rios, às margens da floresta e subsiste da pesca, do extrativismo, do cultivo de pequenas lavouras ou da chamada marretagem (venda de produtos a bordo de embarcações). Os ribeirinhos são, na sua maioria, descendentes de sertanejos outrora levados alí para trabalhar na extração da borracha ou no garimpo e que, uma vez esgotados esses ciclos, foram abandonados à própria sorte por seus patrões. Miscigenados às mulheres indígenas, são íntimos da selva e manejam de seus benefícios com habilidade. Circulam com fluidez pelos rios e igarapés, trocam sua morada de lugar e não se consideram donos da terra que habitam, mas pertencentes a ela. Em “Margens” serão mostradas longas superfícies fluidas com imagens fotográficas impressas em material maleável, trazendo ao espaço expositivo a amplitude desse lugar sem endereço.

A palavra selva deriva do latim – Silva – sobrenome que possivelmente surgiu no Império Romano para denominar os habitantes de regiões de matas e florestas. Muitos desses habitantes se refugiaram do império justamente na península Ibérica (hoje Portugal e Espanha). O primeiro “Silva” a fixar raízes no Brasil foi o alfaiate Pedro da Silva, em 1612.

Sobre os artistas:

Analu Cunha – vive e trabalha no Rio de Janeiro, curadora e professora de fotografia e video no IART/UERJ e de videoarte na EAV/Parque Lage. Doutora em Linguagens Visuais (EBA/UFRJ e Universite Sorbonne-Paris 1), nos anos 90 participou do grupo carioca de arte contemporânea Visorama. Em 2014 lancou o livro Analu Cunha com textos de Tania Rivera, Wilton Montenegro e Elisa de Magalhaes, entrevista realizada com Gloria Ferreira e imagens de seus trabalhos nos ultimos 30 anos. Desde 2004 trabalha com videoarte e pesquisa as interfaces nos elementos constitutivos do audiovisual.

Carla Guagliardi – vive e trabalha entre Berlim e Rio de Janeiro. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, e fez o curso de Especializacao em História da Arte e Arquitetura no Brasil, na PUC do Rio de Janeiro. Foi membro fundador do grupo Visorama, que promoveu debates acerca de arte contemporânea entre final dos anos 1980 e a década de 1990. Participou de várias residências artísticas, entre elas: Kunstlerhaus Bethanie, Berlim, 1999; HIAP/Cable Factory, Helsinki, 2001; Khoj, Mysore, 2002 e Villa Aurora, Los Angeles, 2007. Sua trajetória artística resulta de uma pesquisa predominantemente escultórica focada em diversas ideias, mas que tem o tempo como o seu principal agente.

João Modé – vive e trabalha no Rio de Janeiro. Seu trabalho articula-se por uma noção plural de linguagens e espaços de atuação. Participou da 28ª Bienal de São Paulo [2008], da 7ª e 10ª Bienal do Mercosul [2009/2015] e da Trienal de Aichi, Nagóia [2016]. Alguns projetos, como REDE – desenvolvido em diversas cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Berlim, Stuttgart, Rennes – e ‘Constelações’, envolvem a participação direta do público. Participou dos Panoramas da Arte Brasileira de 2007 e 2017. Com formação em Arquitetura e em Programação Visual, com mestrado em Linguagens Visuais pela UFRJ. Foi membro fundador do grupo Visorama, que promoveu debates acerca das questões da arte contemporânea entre o final dos anos 1980 e a década de 1990.

Rochelle Costi – Vive e trabalha em São Paulo. Trabalha com fotografia, vídeo e instalação. Sua concepção de fotografia como forma de colecionar e refletida diretamente em seu trabalho, geralmente organizado em series. A artista mistura fotografias com outras formas de expressão artística e muitas vezes as leva para a instalação. Trabalha com escalas diferentes e as confronta em suas imagens. Joga com pontos de vista causando certo estranhamento e desconforto, sensacoes que nos prendem em suas imagens e nos fazem refletir sobre elas. Impossível vê-las, e preciso olha-las.

Serviço:

Exposição: Selva – Analu Cunha | Carla Guagliardi | João Modé | Rochelle Costi
Local: Galeria Fayga Ostrower – Complexo Cultural Funarte Brasília (Eixo Monumental – entre a Torre de TV e o Centro de Convenções)
Abertura: 26 de abril de 2018, quinta-feira, às 19h
Visitação: 27 de abril a 10 de junho de 2018
Horário: de terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Informações: (61) 2099-3076 / 2099-3079
Classificação livre
Entrada franca
www.funarte.gov.br

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