CCBB: Grandes vozes femininas, juntas, em Brasília

Cantar o lugar onde o feminino está presente em todos e todas: essa é a ideia que guiou a criação do projeto Feminino, que ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília na primeira semana de maio (3 a 6). O projeto estreou no CCBB Rio em março, com duas sessões lotadas – os encontros de Elza Soares com Pitty e de Xênia França com As Bahias – e seguirá ainda para São Paulo e Belo Horizonte. “Nosso desejo é que o público vivencie a força e expressão do feminino com artistas que as carregam em seus universos e, consequentemente, na obra que produzem”, diz Débora Ribeiro de Lima, idealizadora do projeto ao lado de Dani Godoy, do Ninas. “A proposta é produzir um antídoto de resiliência diante do momento mundial de tensão, carregado de insegurança e medo, suscitando no público uma consciência potente, mas amorosa e pacífica”.

A etapa brasiliense se inicia dia 3, com a dobradinha Xênia França e As Bahias. Soa no Teatro I a voz profunda e a presença exuberante de Xênia, representante do feminismo negro e também vocalista do grupo Aláfia. Ela apresenta seu segundo disco, embalado nos tambores e vocais em harmonia, e dialoga com As Bahias, duo paulista de vocalistas transgênero, Assucena Assucena e Raquel Virgínia, à frente de um projeto que reúne pegada pop e dançante, postura antimachista e anti-homofóbica e já reconhecida qualidade musical.

No dia seguinte, poesia, amor e homenagem com Anelis Assumpção e Tulipa Ruiz. As duas levam ao palco o projeto de Serena Assumpção, irmã de Anelis – ambas filhas de Itamar, um dos papas da Vanguarda Paulista, o disco Ascensão. Serena, que morreu em março de 2016, aos 39 anos, deixou o disco pronto e Anelis se tornou embaixadora do trabalho, que já contava com a participação de Tulipa, entre outros artistas como Tetê Espíndola, Céu, Moreno Veloso e o Metá Metá. O CD traz cantos dos orixás, projeto erguido desde 2009 e gravado em 2015. Cada faixa do disco é ainda dedicada a uma personalidade que Serena admirava – Elis Regina, Clara Nunes, Luz Del Fuego, Paco de Lucia e Mãe Menininha do Gantois são algumas delas. Anelis, com três discos gravados – o mais recente, Taurina – deixou de lado seu próprio trabalho para essa missão. Tulipa participou da faixa Ogum no disco de Serena; é uma artista com um sólido discurso de criatividade pessoal, atuando também como ilustradora.

O terceiro show dessa etapa reúne Alice Caymmi, de figura marcante e voz encorpada, e Jaloo, jovem paraense que mistura pop internacional, eletrônico com música regional.

Para encerrar, dia 6, o encontro que a produtora Débora Ribeiro de Lima define como “doce”: a violonista e cantora Badi Assad com a cantora e compositora Tiê. A delicadeza da performance das duas artistas se combina e se multiplica. Com quatro discos gravados, a paulistana Tiê segue carreira sólida; Badi, vinda de família musical, faz turnês internacionais e se dedica à experimentação de sons com o violão, a voz e o corpo.

Serviço:

QUINTA, 3/5 – Xênia França convida As Bahias – 20h
SEXTA, 4/5 – Ascensão por Anelis Assumpção + Tulipa Ruiz – 20h
SÁBADO, 5/5 – Alice Caymmi convida Jaloo – 20h
DOMINGO, 6/5 – Badi Assad convida Tiê – 19h

Onde: Teatro I do CCBB Brasília (Setor de Clubes Esportivos Sul)
Ingressos: R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)
Vendas na bilheteria: de terça a domingo, de 9h às 21h. On-line: www.eventim.com.br
Informações: 3108-7600
Classificação livre

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